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Aquários – como montar passo a passo

Aquários – como montar passo a passo

Aquários, da mesma forma que os lagos, sempre foram especialidades da Oficina do Peixe .

Não apenas irei apresentar o mundo dos aquários nesse post como também fornecerei o que chamo de “curso de aquários para iniciantes”.

De fato usei esse mesmo material em várias palestras em escolas e outras instituições.

Espero que goste!

 

CURSO DE AQUÁRIOS PARA INICIANTES

INTRODUÇÃO

Quem nunca parou frente a um aquário assim que teve essa oportunidade?

Quem nunca, quando criança, recolheu conchas e outros objetos pela praia?

Quem, hoje adulto e com filhos, usa a desculpa de acompanhar as crianças para continuar fazendo?

A vida aquática seja marinha ou não, tem exercido enorme fascínio sobre nós por muitos e muitos anos, existindo registros de aquários (na verdade tanques à beira mar) desde a época dos romanos.

Os aquários, quando bem montados, prendem a atenção de adultos e crianças que ficam a observar muitos detalhes dos mesmos (aquela bolha, a rocha, o tronco, o molusco, o peixe, etc).

aquários

O presente workshop tem por objetivo levar ao público em geral conhecimento dos princípios básicos do aquarismo em geral e a montagem de um aquário de água doce.

Desta forma o material aqui apresentado abordará os principais aspectos para a montagem e manutenção de um aquário bem-sucedido.

POR ONDE COMEÇO?

Normalmente se pensa em entrar no hobby porque vimos aquários bem montados na casa de um amigo, em uma loja ou até mesmo em um filme.

Sem dúvida o próximo passo é procurar uma loja de aquários especializada.

Apesar de cada vez mais raras já que as rações para cães e afins são mais lucrativas, ainda existem lojas fantásticas.

Portanto prepare-se para ficar ainda mais fascinado com a grande variedade de espécimes, equipamentos e itens para decoração.

Calma!

Primeiramente invista um pouco de tempo nesta fase para definir que tipo de ecossistema você gostaria de reproduzir em seu aquário como, por exemplo:

–     Marinho para peixes, corais e invertebrados ou misto?

–     Carnívoros de água doce (pintado, aruanã e outros)?

–     Territoriais (ciclídeos, por exemplo)?

–     Discos?

–     Plantado (aquário especialmente preparado para plantas)?

–     Comunitário (este é onde todos começam)?

–     Temático (peixes do Pantanal, por exemplo)?

–     Criação (lebistes, espadas e outros)?

Porque? Pois não é só encher o aquário de água e ir comprando tudo que eu tenho vontade?

Não.

Tem um velho ditado que diz: “É errando que se aprende” – lembram dele?

Pois bem se pudesse mudar eu o escreveria:

“É com os erros dos outros que se aprende” – dói menos emocional e financeiramente.

E acreditem nestes 40 anos que tenho o aquarismo como hobby já errei bastante.

Perdi lindos peixes simplesmente por ter demorado a aceitar a regra básica sugerida acima que evita que misturemos o almoço com aquele que vai comer.

E como fazer esta escolha?

Perguntem, pesquisem, perguntem mais.

Uma boa loja oferecerá, além dos esclarecimentos pessoais, literatura para consulta de espécimes e design de aquários juntamente com pessoal treinado para esclarecimentos das mais diversas dúvidas.

O AQUÁRIO

Em aquarismo tamanho faz diferença!

Ao contrário do que muitos imaginam quanto maior o aquário mais fácil de estabilizá-lo, menor a necessidade de manutenção e maior a quantidade de espécimes que o mesmo suportará.

Uma vez definido o que queremos em nossos aquários (o sistema de filtragem é que deverá ser específico como veremos a seguir) devemos definir o tamanho.

Este item requer a conjugação de duas variáveis:

–           Espaço físico

–           Disponibilidade financeira

Como referências mínimas sugerimos:

–           Água doce      43 litros

–           Marinho          100-120 litros

O cálculo do volume total de um aquário é calculado:

  • multiplicando-se o comprimento pela largura
  • Esse resultado multiplicamos pela altura (sempre em centímetros)
  • O resultado dividimos por 1.000 que é, então, a capacidade em litros do aquário

Desta forma os aquários mínimos sugeridos teriam as seguintes dimensões (em cm):

– 43 litros:       (50 comprimento x 25 largura x 35 altura) / 1.000

– 100 litros:     (60 comprimento x 40 largura x 40 altura)/ 1.000

Obviamente as medidas são sugestões podendo adequar-se o aquário ao espaço pretendido.

Como sugestão de localização devemos evitar colocar nossos aquários onde os mesmos recebam muita luz do dia (o que evitaria um controle da luminosidade e a fatal explosão de algas).

Preferencialmente, um de seus lados maiores encostados em uma parede ou com proteção para dar aos peixes noção de profundidade.

De fato, muitos aquariofilistas montam seus aquários dividindo ambientes.

Nesse caso os fazemos mais largos para que em seu centro seja colocada uma boa parede de rochas, corais ou troncos.

O PEIXE

Muito bem! Já escolhemos o tamanho e o local do aquário e estamos prontos para prepará-lo para nossos peixes.

Por onde começamos? Que tal pela água? Afinal peixe fora d’água…

Porém para iniciarmos o assunto água e seus derivativos vamos entender um pouco do principal habitante de nossos aquários:

O PEIXE

Não pretendemos aqui dar uma aula completa sobre o peixe.

Com o fim de entendermos os porquês de controles e equipamentos ter noções básicas  sobre os habitantes dos aquários é o principio.

Muitas vezes não entendemos por que não conseguimos ter sucesso com nossos aquários e, na maioria dos casos, a resposta é simples:

– não nos preocupamos em conhecer os animais e suas necessidades.

Existem duas classificações amplas para os peixes – Osteichthyes e Chondrichthyes.

  • Osteichthyes – são os peixes que possuem o esqueleto constituído por ossos e são a maioria dos peixes encontrados na natureza e conseqüentemente para habitação em aquários.
  • Chondrichthyes – são os peixes que possuem o esqueleto constituído por cartilagem como os tubarões e arraias.

A forma do corpo, posicionamento da boca e coloração de cada espécie nos fornece informações importantes, como por exemplo:

  • Corpo estreito, achatado lateralmente e comprido, nos indica peixes de correnteza ou águas agitadas, que dependem da velocidade para caçar ou se defender de predadores.
  • Peixe de corpo largo, achatado dorso-ventralmente, nos indica peixes que habitam regiões próximas ao fundo do rio, lago, etc.
  • Boca em posição superior, voltada para cima, indica peixes que se alimentam próximo à superfície.
  • Bocas inferiores, voltadas para baixo, indicam peixes cujo alimento se encontra abaixo dele, seja revirando o substrato, raspando algas em pedras, etc.
  • Boca frontal indica peixes predadores.

Esquema geral da anatomia externa de um peixe ósseo:

Olhos

Na maioria dos peixes os olhos estão situados lateralmente à cabeça, mas em algumas espécies o posicionamento pode variar.

Nos peixes de hábito alimentar próximo a superfície, os olhos podem estar posicionados mais para o alto da cabeça, o mesmo ocorrendo com alguns peixes que vivem próximo ao fundo.

Os peixes não possuem pálpebras.

Opérculo

Placa situada após os olhos.

Sua função é proteger a câmara branquial.

Ela é facilmente identificada devido seu movimento de abrir e fechar durante a respiração.

Alguns peixes desenvolveram projeções em forma de espinhos, sendo utilizados como defesa.

 

Esquema mostrando a localização das narinas, olho e opérculo:

Nadadeiras

As nadadeiras são variadas e com diversas funções.

Suas principais funções são:

  • Impulsão e equilíbrio
  • Proteção – espinhos, tamanho, cores
  • Fixação – algumas espécies usam suas nadadeiras para se prenderem a rochas

Em boa parte dos peixes apenas a característica das nadadeiras permite distinguir se são machos ou fêmeas.

Esquemas de nadadeiras:

 

Os peixes são animais ectotérmicos (animais de sangue frio).

Isso significa que  todo o  seu metabolismo depende da temperatura do ambiente em que vivem.

Não possuem capacidade de suportar variações muito bruscas de temperatura.

Dessa forma, um controle adequado de temperatura de nossos aquários se faz necessário.

Uma pergunta constante sobre peixes para aquários é:

Quantos peixes posso colocar em meu aquário?

Desenvolveu-se uma regra empírica de 1 cm peixe por litro para aquários tropicais e 1 cm peixe por 5 litros de água marinha.

Por esta regra, em um aquário de água doce (tropical) de 50 litros poderíamos colocar 50 peixes de 1 cm, 10 de 5 cm ou 5 de 10 cm como exemplo.

Vale ressaltar que esta regra não leva em consideração o crescimento dos peixes.

Dessa forma use esta informação apenas como uma referência básica.

A ÁGUA

Uma vez que ntendemos um pouco do que é um peixe fica mais fácil compreender a necessidade de buscarmos a melhor qualidade da água em nossos aquários.

Como comentado no tópico anterior aprendemos que o peixe interage com o ambiente em que está inserido.

Depende do mesmo para realizar suas funções metabólicas de forma eficiente.

Existem vários parâmetros que podem e devem ser observados em um aquário tanto de água doce quanto no marinho.

Neste tópico iremos nos concentrar em dois:

AMÔNIA (CICLO DO NITROGÊNIO) e PH.

O CICLO DO NITROGÊNIO

Os aquários são ecossistemas em miniatura fechados.

Já que não se relacionam em larga escala com o exterior, como acontece com um lago, rio ou o mar precisam de cuidados especiais.

Desta forma os restos de comida, dejetos de peixes e plantas que morrem sofrem decomposição dentro do aquário.

Isso resulta em substâncias tóxicas que precisam ser metabolizadas para não causarem danos aos habitantes do aquário.

Estas transformações são realizadas por seres microscópicos chamados bactérias nitrificantes cuja função é a de decompor compostos nitrogenados.

Vejamos o gráfico:

 

O Nitrogênio (N) é um elemento químico que entra na constituição de duas importantes classes de moléculas orgânicas: proteínas e ácidos nucleicos.

O Nitrogênio está presente em grande quantidade no ar na forma de gás nitrogênio (N2) porém somente alguns tipos de bactérias, principalmente as cianobactérias, conseguem captar o N2.

Essas são comidas por outros organismos, que por sua vez são comidos por animais maiores, e assim por diante até que todos os seres vivos tenham compostos nitrogenados em sua composição.

Por esta razão estas bactérias são conhecidas como fixadoras de nitrogênio.

Ao morrer, perder um pedaço ou excretar os seres vivos (animais e vegetais) liberam esses compostos nitrogenados acumulados.

Por sua vez, esses compostos são imediatamente processados por bactérias decompositoras resultando este processo no gás Amônia (NH3) que ao entrar em contato com a água forma o Hidróxido de Amônio (NH4OH).

O NH4OH é altamente tóxico para os seres vivos sendo que sua toxidade depende do PH, Temperatura e salinidade da água.

Quanto mais alto o PH (alcalino) mais devastador será o efeito do Amônio.

Esta substância, felizmente, é consumida por bactérias do tipo Nitrossomonas, que na presença do oxigênio transformam a amônia em Nitrito (NO2-).

O Nitrito (NO2-) também é uma substância altamente tóxica para animais e plantas porém também é transformado por bactérias do gênero Nitribacter que o metabolizam e o transformam em Nitrato (NO3-).

 O Nitrato (NO3-) é aproveitado por plantas e algas e deve ser controlado simplesmente para evitar uma indesejada explosão de algas em nossos aquários.

Também leia em nosso blog o artigo sobre o Ciclo do Nitrogênio.

O PH

A água é um composto muito interessante.

Uma de suas propriedades mais interessantes é a de dissolver-se em sim mesma.

 Quando você adiciona alguma substância (sal ou açúcar, por exemplo) à água pura, esta rapidamente quebra a composição química da mesma dissolvendo-a.

Aliás, a água dissolve tudo na natureza, variando apenas o tempo de elemento para elemento, daí um de seus apelidos “solvente universal”.

O interessante é que quando adicionamos água pura em água pura esta também é dissolvida na proporção de uma molécula em cada 10 milhões (107). 

O PH é definido como NEUTRO, ALCALINO OU ÁCIDO.

A água (H2O) quando dissolvida resulta em 1 íon H+  e 1 íon OH -.

Em condições normais uma molécula em cada 10 milhões (107) de água é dissolvida, gerando 1 íon H+  e 1 íon OH -, surgindo daí o PH NEUTRO = 7.

 A tabela de PH é logarítmica, ou seja, cada valor é 10 vezes superior ou menor do que o valor anterior.

Desta forma a tabela de PH vai de 0 a 7 (ácida), 7 (neutro) e de 7 a 14 (alcalina).

Tabela de PH:

aquários

fonte imagem: http://aguahtz.com.br/2014/03/24/qual-o-ph-de-cada-bebida

Como curiosidade abaixo tabela comparativa de PH:

fonte imagem: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/conceito-ph-poh.htm

FILTRAGEM E CUIDADOS GERAIS COM A ÁGUA

Filtragem

Ao analisarmos o tópico anterior fica evidente a necessidade de nos preocuparmos com a qualidade da água de nossos aquários.

Sem um sistema de filtragem adequado esta manutenção, senão impossível, fica dificílima.

A filtragem adequada consiste em um processo de limpeza e depuração dos resíduos orgânicos, restos de alimentos, excreções dos peixes, folhas mortas, etc, contidos na água.

Existem 03 tipos básicos de filtragem:

  • Filtragem mecânica: retira partículas em suspensão na água no aquário. Ex: lã acrílica e esponja sintética.
  • Filtragem química: retira partículas muito pequenas, odores e pigmentos, por meio de fenômenos químicos. Ex: carvão ativado e absorvente de amônia
  • Filtragem biológica: transforma a amônia em nitritos e em nitratos através de colônias de bactérias aeróbicas (que respiram oxigênio). Em aquários marinhos soma-se mais um grupo de bactérias anaeróbicas (Jaubert).

Existem vários modelos de filtros a disposição para adaptar-se em cada tipo de aquário.

No entanto, nós da Oficina do Peixe, recomendamos um que contenha os três tipos de filtragem ou em peças separadas, ou em anexo já montado junto com o aquário (dry-wet).

Apesar de bastante econômico nós procuramos evitar o filtro biológico de fundo (FBF) devido a sua necessidade de manutenção constante e pouca eficiência na eliminação de detritos.

Este tipo de filtro funciona mais ou menos como se, ao varrermos nossa casa, jogássemos a sujeira para baixo do tapete:

Ela não aparece – mas continua lá.

Filtros do tipo dry-wet, sump, canister e fluval são os mais recomendados já que podem ficar dentro ou fora dos aquários, porém mantém os detritos apartados da água do aquário.

PH

Já entendemos o que é PH, porém falta entendermos como ele afeta os peixes.

Na natureza existe um fenômeno chamado OSMOSE.

Em linhas bem gerais este processo se resume na tendência de dois elementos tentarem se equivaler.

Desta forma, se separarmos um recipiente com uma membrana semipermeável colocando de um lado água com sal e de outro água natural, após algum tempo encontraremos os dois lados no mesmo nível e com a mesma salinidade.

Pois bem, os peixes como seres vivos possuem sangue que por sua vez tem um determinado PH que foi adaptado para o ambiente natural onde os mesmos se desenvolvem.

Ao colocarmos, então, um peixe com ph 7 em água com ph 6, estamos forçando o animal a se adaptar uma condição de acidez dez vezes maior a que esta acostumado.

A tendência de seus fluidos corpóreos tentarem “equilibrar” o meio ambiente causando um colapso em seu organismo, parecido com desidratação.

Isso ocorre pois seu PH é maior que o da água.

Ao colocarmos este mesmo peixe em um ph 8 o processo é inverso havendo a tendência da água externa tentar baixar o ph do peixe, matando-o afogado.

Entendam que as palavras desidratação e afogado são usadas aqui como mecanismos de entendimento.

O processo osmótico acontece em nível celular e é bem mais complexo do que o exposto aqui.

O mesmo se aplica à salinidade da água motivo pelo qual os peixes de água doce urinam o tempo todo e os de água salgada praticamente não o fazem.

De forma geral todos nós seja na piscina, no banho mais demorado ou no mar já notamos o enrugamento da ponsta dos dedos.

Visualmente parece que os dedos estão muchando mas é exatamente o contrário.

A água que é mais alcalina que nosso sangue invade a parede permeável das células aumentando seu volume.

Ao sairmos da água a condição normal da pele retorna através da absorção da água pelo nosso corpo.

Agora imagine o que acontece com o peixe que não pode sair da água.

Suas células são inundadas o tempo todo e apesar de possuir mecanismos de equilibrar esse fato esse processo não é instantâneo.

Por isso os peixes podem morrer.

A esse processo chamamos de CHOQUE OSMÓTICO que é uma das principais causas de mortandade de nossos peixes.

Temperatura

Como já comentado também, os peixes dependem da temperatura de seu meio ambiente para realizar seus processos metabólicos como digestão, respiração e reprodução, dentre outros.

Manter uma temperatura adequada para os peixes escolhidos não é uma questão de luxo e sim de proporcionar condições para a adequada realização de seu metabolismo.

De fato existem vários tipos de aquecedores, porém os mais indicados são aqueles que já vem com termostatos de regulagem eletrônica.

Como desligam quando a temperatura escolhida é atingida, são mais seguros.

Iluminação

A iluminação é um fator importante para completar a decoração de nossos aquários.

Realça as cores de nossos peixes e é primordial para aquários plantados e marinhos.

Sem luz plantas e corais não sobrevivem.

Em suma existem vários modelos de lâmpadas, de diversos tamanhos, finalidades e cores.

CONCLUSÃO

Deste modo concluímos nosso post.

Esperamos ter atingido nosso objetivo de proporcionar noções básicas sobre aquarismo e nos colocamos a disposição para maiores esclarecimentos.

Futuramente abordaremos os temas filtragem e iluminação com mais detalhes.

Assim sendo, a Oficina do Peixe está apta para auxiliá-lo na montagem de seu aquário nos consulte.

 

 

 

Oficina do Peixe

A Oficina do Peixe Lagos, Aquários e Peixes Ornamentais, atua a 15 anos no mercado sempre buscando o que existe de mais moderno em soluções estéticas e sistemas de filtragem para garantir o melhor custo-beneficio e qualidade do mercado.

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